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Boletim Econômico: Preço da banana subiu mais de 20% no Acre nos últimos 12 meses

Produção da banana é tema de estudo do Boletim Econômico
Produção da banana é tema de estudo do Boletim Econômico

O preço da banana subiu mais de 20% no Acre nos últimos 12 meses. Conforme o Boletim de Conjuntura Econômica, o produtor pagava R$ 31,59 no início de 2023 e 12 meses depois o preço subiu para R$ 38. O Fórum Empresarial de Desenvolvimento e Inovação do Acre e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária do Acre (Fundape) elaboraram um estudo sobre a produção da fruta no Brasil, no Acre e demais estados brasileiros.

O estudo completo pode ser lido aqui.

Os dados e informações foram copiladas pelo professor e economista da Universidade Federal do Acre Elyson Souza. A pesquisa destaca que a banana é a fruta fresca mais consumida no Brasil e no mundo. No mercado brasileiro, os tipos mais produzidos são Cavendish (grupo que inclui Nanica, Nanicão e Grande Naine), Prata, Maçã e Ouro. Outras variedades também encontradas com certa frequência são: Prata-Anã, Pacovan, Branca e da Terra.

No ano de 2022, o Brasil figurou como o quarto produtor mundial, depois da Índia, China e Indonésia. De todas as frutas cultivadas no país, a banana está em primeiro lugar em número de produtores. Considerando as características regionais, esta fruta possui no Brasil mais de 200 milhões de consumidores potenciais.

A produção brasileira de bananas é quase que totalmente dirigida ao mercado interno, devido à grande população e ao elevado consumo per capita nacional. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a safra de 2022 foi de 6.854.222 toneladas, em uma área colhida de 457.910 hectares. Em termos de divisas, o mercado movimentou no ano de 2022 mais de R$ 11,9 milhões.

Foi avaliado ainda a quantidade de banana produzida na Região Norte entre 1994 e 2022. Conforme o estudo, a quantidade de toneladas produzidas na região aumentou no período analisado. O estado com maior destaque foi o Amapá, seguido por Roraima, Amazonas e Acre.

“A justificativa para a melhoria no desempenho de quantidade produtiva nesses estados foi a opção por desenvolver um combate efetivo às pragas e doenças e adotar um plantio com espécies mais resistentes e/ou tolerantes, possibilitando aos produtores uma maior oferta do produto no mercado local. Outra medida adotada foi a opção dos produtores em cultivar o produto em escala comercial”, destaca o estudo.

Evolução do preço da banana prata

Dados locais

No Acre, a produção da fruta aumentou 26,2% entre 2010 e 2022. A pesquisa mostra que em 2010 a produção era de 65.623 e aumentou para 82.836 em 2022.

Já com relação aos preço mínimos, em 2014 o produtor acreano cobrava R$ 29,63 por 20kg de banana. Em 2023, a mesma quantidade de banana saia por R$ 38. Contudo, o levantamento ressalta que, para o produtor, o valor ainda está muito abaixo do esperado porque o kilo da fruta saiu por R$ 1,48 em 2014 e R$ 1,90 ano passado.

O professor explica que o preço pode variar dependendo do sistema de vendas.

“Este preço pode ainda ser menor quando o produtor atua individualmente no mercado, vendendo sua produção diretamente aos intermediários, pois o sistema adotado é o de cachos ou pencas, o que traz maiores prejuízos. No varejo de Rio Branco este mesmo tipo de banana tem o preço do quilograma que varia entre R$ 9,48 a R$ 12,50, mostrando uma diferença alta entre o preço pago no campo e no varejo”.

Ainda segundo o estudo, em novembro de 2023, uma pesquisa da Secretaria de Planejamento do Acre (Seplan), procurou identificar quais os itens da cesta básica tiveram aumento de preços. Foram pesquisados 60 estabelecimentos comerciais de 40 bairros de Rio Branco, incluindo mercados varejistas de grande, médio e pequeno porte, detectou-se que dentro dos produtos que compõem a cesta básica, a banana foi o item que registrou o mais expressivo aumento com a taxa de 19,56% em relação ao mês de outubro.

Essa precificação é obtida quando há diminuição da oferta e o setor atacadista e varejista adotam o sistema de pesagem, diferente do sistema de venda por cachos, feito pelos produtores.

O levantamento aborda também dados do rendimento médio da produção de banana nos municípios acreanos entre 2012 a 2022. Os dados evidenciam que, em 2022, somente o município de Mâncio Lima teve decréscimo de rendimento com a bananicultura, com o percentual de 6,67% de variação, em relação a 2012. Os demais municípios do Acre tiveram aumento no rendimento médio com destaque para Rio Branco (25,40%), Plácido de Castro, Porto Acre e Tarauacá (25%) e Bujari (24,50%).

“O desempenho de cada município neste quesito depende muito da variedade cultivada, das alternativas utilizadas para combate às pragas e doenças, das aptidões do solo em cada região do estado, da idade das plantas, das distâncias, custos com logística e transporte, das condições ambientais, das práticas e técnicas de cultivo aplicadas e da adoção de política de preços mínimos e compras governamentais”, diz a pesquisa.

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