Comportamento do mercado de produtos florestais no Brasil daqui para frente

Por Mill – 30/07/2018

O Brasil é um país de dimensões continentais. Em razão disso, sempre se destacou no cenário internacional da madeira por apresentar extensas florestas nativas tropicais e pelo plantio de florestas homogêneas com espécies exóticas. Dados apresentados pela FAO, em 2015, mostraram que o Brasil detinha 59% do seu território coberto com 493,5 milhões de hectares de florestas (naturais e plantadas). Tais números demostram que o país detém 12% de florestas no mundo. A maioria destas florestas é natural (485,7 milhões de hectares), entretanto, ocasionalmente não são exploradas de maneira sustentável. O mesmo estudo da FAO indica que entre 2010 e 2015, o Brasil reduziu em 984 mil hectares suas florestas naturais.

Mas, apesar disso, o país também se destaca pelo seu plantio de florestas homogêneas, caso do pinus e do eucalipto. Essas espécies exóticas permitem a produção de diversos produtos, caso das chapas de madeira, madeira serrada e lenha/cavaco. Veja qual é o comportamento quanto a comercialização destes produtos, negociados em mercados bastante distintos.

Painéis de madeira de reflorestamento

No Brasil, esse mercado é caracterizado por ter poucos itens, que incluem o MDF/HDF, MDP e HB. Também são produtos produzidos por apenas alguns agentes, sendo especialmente voltado ao mercado doméstico. Segundo dados apresentados pela IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), a produção destes paineis passou por algumas variações nos últimos anos. Em 2015, a produção foi de 7,5 milhões de metros cúbicos, sendo reduzida para 7,3 milhões de metros cúbicos em 2016. Já em 2017, a produção voltou a crescer, atingindo 7,8 milhões de metros cúbicos. A elevação da produção em 2017 está atrelada, em grande parte, ao aumento das exportações desses paineis, mesmo sendo ainda pequena. Em 2016, cerca de 14% da produção nacional desses tipos de painéis de madeira foi exportada, percentual que passou a 15,9 em 2017. De fato, há números que mostram que os produtores de paineis de madeira enfrentaram muitos problemas desde 2014 (devido à crise econômica interna), mas agora a tendência é de recuperação, seguindo o processo de recuperação econômica do país.

Madeira Serrada

No Brasil, os principais mercados de madeiras serradas são os de essências nativas (oriundas, principalmente, da Amazônia e do Centro-Oeste) e o de essências exóticas (pinus e eucalipto). Dados apresentados pelo Cepea sobre os preços desses tipos de madeira negociados em São Paulo mostraram um crescimento modesto em 2017 e 2018. Porém, a aposta é de termos uma consolidação de um mercado futuro para esta madeira, tanto em âmbito doméstico quanto internacional. Vale lembrar que o processo de formação deste mercado é lento, mas teremos fatos significativos para o futuro, principalmente com o anúncio da construção de grandes obras em madeira, o crescente interesse por produtos estruturais de eucalipto, além da investigação da possibilidade de substituição do hardwood americano pelo eucalipto brasileiro.

Lenha e Cavacos

A lenha foi um dos mercados mais amenos em termos de variações de preços nos últimos 18 meses, em especial no estado de São Paulo. Dados do Cepea para a lenha cortada e empilhada na fazenda de eucalipto indicam aumento de 2,5% nos preços entre dezembro de 2016 e maio de 2018 na região de Bauru. Porém, em outro viés vemos que a bioenergia vem ganhando cada vez mais holofotes, com perspectiva otimista sobre o mercado de energia de biomassa. Assim, até o fim de 2018 podemos esperar diversos projetos dessa energia limpa saindo do papel, tanto em âmbito privado quanto público, estimulando ainda mais a produção de lenha e cavacos.

O mercado de produtos derivados de florestas no Brasil vem mostrando um desempenho positivo. Agora nos resta esperar os novos passos na perspectiva política e continuar trabalhando forte!