Conheça a bioarquitetura e entenda como aplicá-la aos seus projetos

BUILDIN – 08/08/2019

Realizada na Europa pelo menos desde os anos 1970, a bioarquitetura nada mais é do que aplicar um conceito bem elementar na concepção e na construção de edificações. Ou seja, a preservação ambiental e da vida no planeta em seus diversos ecossistemas.

Sob o guarda-chuva “bioarquitetura” estão as construções ecológicas, as construções sustentáveis e as bioclimáticas (adaptadas ao clima). Da mesma forma, estão aquelas erguidas com base na sabedoria milenar dos povos orientais e ocidentais.

Ao criar uma edificação tendo como base a bioarquitetura, o profissional de arquitetura deve mudar seu modo de especificar. A escolha por tecnologias, técnicas construtivas e materiais deixa de estar restrita à análise de aspectos técnicos e estéticos. Assim, nesse tipo de concepção, ela passa a considerar, também, todo o ciclo de vida útil e a cadeia produtiva dos materiais.

Ou seja, a bioarquitetura pressupõe uma visão ampla e criteriosa sobre os materiais e tecnologias.

A forma de desenvolver o projeto de bioarquitetura também passa a ter outras prioridades. Isso porque um dos princípios da bioarquitetura é o aproveitamento passivo dos recursos naturais (luz solar, ventilação e microclimas) e a obtenção da eficiência energética do edifício. Ou seja, visando, por exemplo, à redução do consumo de energia elétrica para ar condicionado.

Princípios básicos da bioarquitetura

Um ponto em comum nos projetos concebidos sob a égide da bioarquitetura é o entendimento de que é preferível optar por fornecedores instalados próximos do local da obra. Afinal, dessa maneira reduz-se a poluição gerada nos processos de transformação da matéria-prima e a emissão de gases no transporte até a obra.

A bioarquitetura costuma privilegiar matérias-primas como terra, pedra, areia, argila, fibras naturais, bambu, pau a pique, adobe (terra crua) e cimento queimado.

Mas não é só isso.

Outro princípio da bioarquitetura é buscar o equilíbrio entre as tecnologias contemporâneas disponíveis e a arquitetura vernacular. Ou seja, aquela que aproveita os materiais naturais e a cultura local.

Em outras palavras, não é preciso abrir mão do conforto para viver em uma edificação sustentável e ecológica. Um exemplo desta combinação está na instalação de placas fotovoltaicas nas edificações para prover energia limpa.

Podemos citar, também, as coberturas verdes, cada vez mais aproveitadas nas grandes cidades.

Diretrizes do projeto de bioarquitetura

Resumidamente, são diretrizes que orientam o projeto e a construção de edificações sob a óptica da bioarquitetura:

  • Eficiência e redução de desperdícios na construção. Preferência por sistemas modulares;
  • Pouca movimentação de terra;
  • Análise do ciclo de vida dos materiais, com preferência às matérias-primas renováveis, retornáveis, recicláveis e reutilizáveis (4Rs);
  • Preferência por materiais ambientalmente certificados;
  • Redução de materiais tóxicos e que consomem muita energia para serem produzidos, como PVC, alguns tipos de tintas e revestimentos sintéticos;
  • Aproveitamento de luz e ventilação naturais para garantir conforto ao usuário;
  • Preferência por materiais e mão de obra local;
  • Aproveitamento da arquitetura vernacular sempre que possível;
  • Gestão eficiente do uso de água durante a operação da edificação. O uso de sistemas para aproveitamento de águas cinzas, por exemplo, é fundamental;
  • Controle e gestão da emissão de resíduos. A reciclagem e o reuso são fortemente incentivados pela bioarquitetura, incluindo o uso de biodigestores;
  • Uso de energias renováveis, como a fotovoltaica;
  • Valorização da permacultura.

Por que apostar na bioarquitetura, afinal?

  • Esse tipo de construção tende a ser mais saudável, já que não utiliza materiais que emitem contaminantes ao ambiente interno e externo
  • A construção também tende a ser mais salubre. Isso porque realiza boas trocas de ventilação natural, insolação adequada e isolamento térmico
  • Esse tipo de construção tende a ter uma operação mais econômica por aproveitar energia renovável e minimizar o consumo de água através da captação de água da chuva
  • Além disso, pode proporcionar aos usuários maior interação com a natureza, contribuindo para o bem estar
  • É melhor para o meio ambiente e para a preservação das gerações futuras