Tecnologias da Embrapa movimentam largo do Mercado Público de Pelotas/RS

EMBRAPA – 29/10/2019

Ao longo da tarde do dia 24 de outubro, em torno de 15 pesquisadores, 15 empregados da equipe de apoio e 10 bolsistas da Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) compareceram ao Largo Edmar Fetter, em frente ao Mercado Público de Pelotas, para apresentar à população urbana resultados da pesquisa agropecuária local. A ação fez parte da 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT).

O objetivo foi mostrar a importância e o impacto da pesquisa pública na produção dos alimentos que as pessoas consomem na cidade. E, também, compartilhar bastidores e curiosidades que envolvem o desenvolvimento do trabalho científico.

“Essa mostra nada mais é do que trazer a pesquisa da Embrapa Clima Temperado para a rua. É fazer as pessoas entenderem que no seu dia a dia, no seu café da manhã, no almoço, no jantar, no lanche, na roupa que as pessoas vestem tem pesquisa da Embrapa por trás”, afirmou a analista de Transferência de Tecnologia (TT) e uma das organizadoras do evento, Andréa Noronha.

As bancas, dispostas em duas fileiras, formaram um corredor para acolher quem passava pelo local. Foi o caso da autônoma Maria Elizabeth Coimbra, que aproveitou a oportunidade para saber mais sobre uma fruta que possui em casa. “Eu só tava passando aqui e tive curiosidade. Adorei isso daqui! Coisa bem linda!”, disse. O vendedor Jair Vieira também passou pelo local e gostou de saber mais sobre a origem do que consome. “Interessante os produtos e a divulgação. Muitas vezes a gente compra os produtos e nem sabe de onde saiu”, acrescentou.

Áreas temáticas

Ao todo, foram doze áreas temáticas. Na fruticultura, estiveram em apresentação resultados ligados ao pêssego, amora-preta, mirtilo e morango, principalmente, com exposição de mudas e material informativo. Também, houve exposição de artesanato ligado à Rota dos Butiazais – iniciativa que reúne municípios, entidades e pessoas pela valorização da cultura. As oliveiras, também consideradas frutíferas, ainda estiveram em destaque neste espaço.

As mudas em exposição pelo Projeto Quintais também contribuíram para deixar o espaço mais verde. A iniciativa visa distribuir kits de plantas frutíferas e hortaliças para contribuir com a sustentabilidade social, econômica e ambiental de públicos em situação de vulnerabilidade e de risco social, econômico e alimentar.

No caso das hortaliças, a equipe expôs mudas de batata, batata-doce e cebola, bem como amostras das diferentes variedades desenvolvidas pela pesquisa. Logo ao lado, grãos como arroz, feijão e milho, inclusive crioulos. Neste espaço, os pesquisadores abordaram o processo de melhoramento e o tempo necessário para se obter uma nova variedade, que pode ultrapassar dez anos.

Com relação ao leite, foram abordados assuntos como qualidade, boas práticas, pastagens, nutrição e reprodução. “A atividade leiteira é muito complexa. A ideia foi trazer uma pontinha de cada coisa pra gente poder conversar com as pessoas, mostrar o que a gente faz e a importância que o nosso trabalho tem para a cadeia”, disse o analista de TT Rogério Dereti.

Outras atividades em destaque foram a avicultura e a apicultura, com exibição de caixa apícola e informações para a produção de mel. A cultura da cana-de-açúcar foi abordada com foco na fabricação de subprodutos e agregação de valor, como açúcar mascavo, melado e cachaça.

A pesquisa ainda apresentou algumas práticas para controle de pragas na atividade agropecuária. O Laboratório de Entomologia demonstrou as possibilidades de controle biológico – a partir de inimigos naturais – de uma praga comum na região, principalmente nos pomares de pêssego: a mosca-das-frutas. “A gente busca o controle biológico em alternativa ao controle químico, que causa uma série de problemas ao ambiente e à saúde humana”, afirma o técnico Ângelo Lopes.

No caso de grandes culturas, como a soja, a orientação é monitorar. E, caso a infestação se instale, a recomendação é o uso de produtos de controle. Isso foi abordado no espaço dedicado à entomologia agrícola para esse tipo de cultura. No espaço, houve exposição de insetos, incluindo percevejos e as espécies de lagartas – algumas vivas – que são responsáveis pelos principais danos à soja na região.

Outro trabalho em exposição foi o da Clínica Fitossanitária, convênio entre Embrapa e Emater/RS-Ascar que presta serviço de diagnose de pragas e doenças. No local, a engenheira agrônoma e ecóloga da Emater/RS Patrícia Grinberg apresentou os problemas mais atuais para a região e falou sobre o trabalho da clínica. “Para dar uma ideia de como é a nossa realidade do dia a dia, que é usar o microscópio, a lupa; e para tentar ajudar, na medida do possível, as pessoas que nos trazem os problemas”, disse.

A agricultura de base ecológica esteve representada pelo minhocário e pela técnica de compostagem laminar – processo de decomposição de resíduos orgânicos –, demonstradas por meio de caixas que reproduziam as práticas em menor escala. O trabalho para obtenção de novos insumos como fonte de nutriente para as plantas, como co-produtos de processos agroindustriais e da mineração, foi abordado logo ao lado.

O Laboratório de Agrometeorologia apresentou as pesquisas ligadas a questões climáticas e trabalhos como os zoneamentos edafoclimáticos, que caracterizam clima e solo de determinada região. Outros laboratórios presentes foram o de Microscopia, com exibição de fotos de plantas, pólen e fungos ampliados; e o de Cultura de Tecidos, com mostra de cultivos in vitro e de uso do microscópio. A equipe de apoio ainda demonstrou tecnologias como o clorador, para tratamento da água, e a composteira, para transformar resíduos orgânicos em adubo.

Por fim, a equipe do Programa Terra Sul – desenvolvido desde 1993 em parceria com o escritório regional da Emater/RS-Ascar – esteve no local para divulgar os horários de exibição e os perfis em sites de redes sociais da produção. Também, realizou cobertura da atividade, que deve ser veiculada nas próximas edições. “É importante dizer que estamos usando o recurso público para fazer pesquisa e que estamos fazendo um bom trabalho devolvendo esse benefício para a sociedade”, finalizou Andréa Noronha.